Ensaios de Saias

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Helena de Troia – ops, de Angola – e outras histórias

Alguém já viu o comercial na Globo? Depois da Helena Médica, da Helena Decoradora, da Helena Blasé, da Helena Pegadora de Gianechini e das 25 Helenas Regina Duarte, as indústrias Maneco enfim lançarão a Helena Negra, ou Helena de Angola, como preferir!

Uau! Que grande mudança nas tramas, não?
Não.
Acostumada ao estilo Manequiano de escrever novelas, acredito que a grande novidade desta protagonista negra (a 3ª do Brasil, com a mesma atriz, aliás) esteja no fato de não ser uma personagem típica: nem escrava, nem uma quituteira do Maranhão que sofre todo o tipo de preconceito no Rio por ser uma quituteira negra do Maranhão.

Pra começar, ela vai morar no Leblon, num apartamento incrivelmente maior que o da sua melhor amiga, que mora ao lado e tem problemas com o marido; vai namorar o Zé Mayer, se consolar com o Zequinha de Presenmça de Anita, ou com algum outro galã disponível, e quando ficar doente ou se envolver num acidente de carro, vai parar no (aparentemente) único hospital existente no Leblon, para ser tratada pelo imortal doutor Moretti. Sim, porque não importa em que ano se passe a trama de Manoel Carlos, não importa se a Helena atual é diretora de escola, curte um saxofonista ou dono de livraria – doutor Moretti sempre ressurge das cinzas, como uma fênix. Incrível como não ganhou um núcleo só dele até hoje.

Hummm… é isso aí… acho que vou mandar esta ideia pra Rede Plimplim… Estreia em 2012, pra dar tempo de os atores escalados se desvencilharem de seus compromissos e descansarem um pouco antes do início das gravações, uma trama com Fagundes, Tony Ramos, Zé Mayer, Cristiane Torloni, Deborah Secco mais uma vez como Iris, doutor Moretti, as 71 Helenas de Troia, a Helena de Angola e a Helena Ranaldi.
Doutor Moretti desta vez será o protagonista, e interligará todas as Helenas, seja em relações profisionais, familiares, amorosas ou espaciais. Sendo Moretti o centro da trama, as Helenas poderão se odiar, disputar o seu amor, trabalhar na padaria, dar uma de vilãs ou ainda se tornarem melhores amigas com apartamentos menores e problemas com o marido!

– Helena, bom te ver! Quem te indicou esta loja?
– Heleninha!
– Ah, que maravilha… Heleninha tem um ótimo gosto… mas também, com Helena como mãe…
– O problema é aquela namorada que ela arrumou agora!
– Qual? Helena?
– Não, Helenão! Helena era ótima!
– ô! Eu que o diga!
– rsrs… Ai, Moretti, vem ver essa cortina, que coisa mais linda! Helena vai adorar, não?
*corta para cena da praia com musiquinha Bossa *

Uma delícia, não? A grande dúvida desta trama seria: com tantas Helenas, pra quem torcer no final?
Pra Helena Ranaldi ficar com o Zé Mayer desta vez, é claro!

(((diferencia aí, ô Manoel Carlos!)))

Santa Inocência, Batman!

Dois dias após as eleições (sim, escrevi isso no meu caderninho no ano passado, em outubro), eu peguei uma van quase vazia, com dois caras conversando sobre seus votos e esperanças para o segundo turno. Tudo ia bem, até que um dos fulanos disse:

– Sabe porque o Crivella não emplacou? Eu vou te falar, e não me importa quem pense o contrário! Nos anos 80 surgiu uma pessoa muito nos Estados Unidos, chamada Lex Luthor. A intenção dele era dominar a costa da Califórnia e derrotar o Super-Homem – veja só! Mas aí surgiu um homem muito pior do que ele, que é o Bispo Macedo. E por causa do Bispo Macedo, o Crivella não foi para o segundo turno!

 

HEIN? Para tudo! O cara tava MESMO comparando Bispo Macedo a Lex Luthor? Será que ele acredita piamente que Lex existiu em um plano que vai além da Tv e dos quadrinhos? Será que estava mesmo horrorizado pelo fato do Lex tentar destruir o Superman? E quem será que o Bispo Macedo quis destruir pra ser mais cruel que o Lex?

Deixe-me pensar… Bispo Macedo = Igreja Universal. Igreja Universal quer ir pro céu. Pra ir pro céu, não se pode pecar. Quem se mantém em pecado, fica nas trevas… Cavaleiro das Trevas?

Corre, Batman!

 

OBS: esse post não declara meu amor ou desamor por políticos, bispos ou vilões de HQ, só manifesta a minha surpresa quanto aos argumentos do fulano da van.